Fim do bloqueio nas heranças indivisas: o que muda com a nova regra que permite a venda por um único herdeiro
Em Portugal, milhares de imóveis continuam anos sem utilização porque pertencem a heranças que nunca chegaram a ser formalmente partilhadas. Casas fechadas, terrenos abandonados e património sem gestão são muitas vezes consequência de um único problema: a falta de acordo entre herdeiros.
Com as novas regras agora em preparação pelo Governo, esta realidade poderá mudar. A proposta prevê que um único herdeiro passe a poder iniciar a venda de imóveis indivisos, mesmo sem o consentimento de todos os restantes.
Esta alteração poderá ter impacto direto na gestão de património familiar, no mercado habitacional e na recuperação de imóveis atualmente sem uso.
O que é uma herança indivisa?
Uma herança é considerada indivisa enquanto os bens não forem formalmente partilhados entre todos os herdeiros.
Isto significa que:
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Nenhum herdeiro é dono exclusivo de um imóvel específico
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Todos detêm apenas uma quota ideal sobre o património global
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Nenhuma decisão relevante pode ser tomada sem acordo comum
Na prática, enquanto não existir partilha formal, não é possível vender, alterar ou administrar livremente os bens sem o consentimento de todos.
Porque existem tantas heranças bloqueadas?
Em muitas situações, basta um único herdeiro não concordar para impedir qualquer decisão.
Isso gera:
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Casas fechadas durante anos
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Terrenos sem manutenção
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Desvalorização patrimonial
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Conflitos familiares prolongados
É precisamente este bloqueio que explica parte significativa das chamadas casas devolutas existentes em Portugal.
O que muda com a nova proposta do Governo?
A nova medida prevê a criação de um processo especial de venda de imóveis indivisos.
A principal alteração é clara.
Após dois anos da aceitação da herança:
Se não existir acordo quanto à partilha, um único herdeiro poderá desencadear o processo de venda do imóvel.
Isto significa que deixa de ser necessário consenso total para iniciar a alienação do património.
Qual é o objetivo desta alteração?
Segundo o Governo, a medida pretende ajudar a libertar parte das cerca de 300 mil casas devolutas existentes em Portugal.
Ao facilitar a venda:
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Mais imóveis poderão entrar no mercado
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Aumenta a oferta disponível para venda ou arrendamento
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Reduz-se património parado sem utilização
Porque esta medida gera debate jurídico?
Nem todos concordam com a alteração.
Alguns juristas defendem que permitir a venda por iniciativa de um só herdeiro pode levantar dúvidas constitucionais, porque nenhum herdeiro deveria decidir isoladamente sobre uma parte do património que ainda pertence a todos.
O debate centra-se sobretudo na proteção do direito de propriedade e no equilíbrio entre interesse público e direitos individuais.
O que significa isto para as famílias?
Para muitas famílias, esta alteração pode representar:
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Maior facilidade em resolver heranças antigas
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Menor risco de conflitos prolongados
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Mais rapidez na circulação patrimonial
Mas também exige atenção:
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É importante conhecer os direitos de cada herdeiro
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Avaliar consequências antes de qualquer decisão
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Procurar aconselhamento jurídico sempre que necessário
👉 Se tem um imóvel em herança ou conhece uma situação semelhante, vale a pena perceber desde já como estas mudanças podem afetar o teu caso.
As heranças indivisas são hoje uma das maiores fontes de bloqueio patrimonial em Portugal. A nova proposta pretende responder a esse problema, criando mecanismos para que o património não permaneça indefinidamente parado.
Se for aprovada, esta alteração poderá transformar a forma como muitas famílias lidam com imóveis herdados e influenciar diretamente o mercado imobiliário.
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